Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 15/7/2010
O site Mediapart, de Edwy Plenel, ex-diretor de redação do Le Monde, tem provado que um jornal online pode ser tão eficaz (ou mais) quanto os grandes jornais da imprensa tradicional quando se trata de fazer jornalismo investigativo. Depois de ter revelado as gravações secretas feitas pelo ex-mordomo da dona da L’Oréal, Liliane Bettencourt, quase todo dia o site tem matérias exclusivas sobre o escândalo que sacode a França há algumas semanas. Os grandes jornais se limitam, na maior parte dos dias, a fazer suites das matérias exclusivas do Mediapart no chamado “affaire Bettencourt-Woerth”. O Mediapart foi criado por Plenel em 2008, depois de ter sido demitido pelo Le Monde.
O “affaire” começou como um caso de família envolvendo uma ação da filha de Liliane Bettencourt, Françoise Bettencourt-Meyers, contra um fotógrafo que já foi agraciado por doações de um bilhão de euros. A mãe, que tem 87 anos, estaria, segundo a filha, sendo explorada na sua fragilidade pelo fotógrafo. Não há nem nunca houve nenhuma história amorosa entre a milionária e o fotógrafo, gay assumido. Simplesmente ele começou a ser tratado como um filho pela mulher mais rica da França e a filha não gostou das doações que a mãe fez a ele.
Rapidamente, contudo, o caso tomou um caminho político envolvendo o ministro do Trabalho, Eric Woerth, e a proprietária da L’Oréal. E, subitamente, um jornalista e seu jornal online foram catapultados ao centro dos acontecimentos.